Aquele espelho que me intriga
Já o deixei em cacos
Ele não me mostra o que eu quero ver,
Aquela cara não é minha
Eu não a tinha.
Maldita velhice que me persegue
São as marcas de meus dias vividos.
Por que foram inventar os espelhos
Quem os inventou são meus inimigos.
Aquele espelho que me intriga
Já o quebrei ferozmente .
Cortei minhas mãos em seus pedaços
Estava em total loucura
Aquela face não reconheço,
A cobrir com o meu própio sangue ;
Aquelas rugas não são minhas
Nem dormindo as esqueço.
Quero viver sempre belo
Com os belos olhos que Deus me deu
Com a viçosa boca que ele me fez,
Não admito viver feio
Ó Deus me leve de uma vez.
Me polpe do sofrimento;
De viver a velhice
Não quero acabar em cacos, como o meu espelho
Quando alguém lembrar de mim
Lembrará de como fui belo
Me leve com a primeira ruga que apareceu
Antes que eu morra coberto por elas.
Filipe Moreira